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Kim Rafael


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O voto de Cabresto





 
 
Muito se fala em reforma política a fim de evitar um possível coronelismo estrutural, do qual se tem centralizado por meios políticos de negociações e articulações, especialmente quando passa-se por período eleitoral.
 
O então coronel da atualidade, retém a centralização de acordos e negociações por ocupar um cargo de prestígio, o qual de maneira ardilosa constrói um curral eleitoral, seja de qualquer região do Brasil, estado ou município e, porque não falar dos bairros? O seu grande objetivo sempre será evidentemente os acordos que promovem uma articulação política ainda mais centralizada, fazendo com que os “novatos” deixem de existir ou são obrigados a compor a cúpula, retribuindo o favor.
 
Mas, é importante conhecer a breve síntese histórica desse fenômeno que vem de maneira absurda ganhando cenário político, sobretudo quando se fala em reforma política no Brasil.
 
O coronelismo é um evento que se iniciou no Brasil após a proclamação da República. Depois do voto censitário (que exigia do cidadão uma renda mínima para poder votar), o número de brasileiros eleitores aumentou e as elites do império passaram a se utilizar desse fenômeno para se manter no poder.[1]
 
Mas afinal, depois de tanto tempo, desde 1889 ainda existe o coronelismo?
 
Em 1948, no livro “Coronelismo, Enxada e Voto”, Victor Nunes Leal, em suas palavras:
 
“Concebemos o coronelismo como resultado da superposição de formas desenvolvidas do regime representativo a uma estrutura econômica e social inadequada (…) o coronelismo é sobretudo um compromisso, uma troca de proveitos entre o poder público, progressivamente fortalecido, e a decadente influência social dos chefes locais, notadamente, os senhores de terras”.
 
Ou seja, o coronelismo era uma troca de favores entre os menos favorecidos e os coronéis, e entre estes e o poder público.
 
Engraçado, lendo isso me veio tantos nomes à lembrança.
 
Embora possa mudar de algum modo as práticas do coronelismo, mas jamais mata-lo. Quem sabe um voto distrital quiçá, pelo menos para regularizar a conduta do chefão.
 
No passado, era ele que protegia a população do “curral”, e ali o obedecia. Assim, durante a época das eleições, todas as pessoas que dependiam do coronel votavam no candidato que ele indicava. Essa prática ficou conhecida como voto de cabresto, expressão que compara o eleitor a um animal controlado por alguém.[2]
 
Agora, imaginem só se isso acontecesse por esses dias?
 
Fiquemos espertos! Ele sempre estará nos piores e melhores cantos da política. E nós?

[1] www.politize.com....2caAjs5EALw_wcB
[2] www.politize.com....2caAjs5EALw_wcB

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