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SINTOMA

À Direita 06/02/2020 14h44Fonte: Adrilles Jorge




Sintoma. Um efeito físico, coletivo e visceral, de uma doença longamente não percebida no Brasil. 
Sintoma. o Messias do avesso revelou-se antídoto para o veneno da certeza absoluta de uma leitura única da realidade que contaminou mídia e universidades brasileiras por décadas. 
 
A doença teve sua origem em 1964. 

Rechaçando a tentativa violenta de apropriação política por uma esquerda utópica, o que havia por aqui que se denominava direita tomou o poder a tapa. Uma direita tecnocrata, que eliminou o conservadorismo pensante. Uma direita burra, que produziu um milagre econômico ocasional e um abismo no pensamento nacional, reagindo – reacionariamente – ao avanço da percepção sobre a realidade no país.
 
A esquerda tomou este espaço. Universidades e mídia – verdadeiras expressões do poder – foram tomadas por stalinistas românticos autocráticos. O poder militar perdeu, sem saber o que perdia. Sintoma.
 
E a esquerda mudou. Largou seus princípios econômicos. Abandonou o proletariado, que a abandonara, abraçando as benesses trabalhistas do famigerado capitalismo. Abraçou e criou novos opressores: homens, brancos, heterossexuais, classe média... Nascia paulatinamente a esquerda identitária, o politicamente correto, o marxismo cultural – sintoma. Mundial. Adotado nesta aldeia tupiniquim.
 
A direita militar matou a direita. Foi a pior tortura que exerceu: ao pensamento liberal e conservador. Sobrou a esquerda identitária, ressuscitada após fim da união soviética e a queda do muro de Berlim, que denunciava o micropoder na relações sociais, enquanto tomava (e comprava!) o poder absoluto das relações políticas. No ápice desse processo, Lula celebra o fato de não haver um único candidato de direita à presidência do país. A esquerda havia, enfim, controlado corações e mentes, numa ditadura ideal, talvez nunca sonhada por Stalin ou Lenin.
 
Mas o poder absoluto , como diz o clichê, corrompe absolutamente. Lula no poder foi sinônimo de corrupção, centenas de bilhões. O partido que jurou destruir a corrupção da direita inexistente, foi o mais corrupto da história da humanidade. E o povo começou a despertar. Parte dele. Muitos ainda ficaram presos às décadas de lavagem cerebral. 
 
Sintoma. Além da corrupção criminosa, havia a corrupção sócio-ideológica. Ser chamado de fascista, racista e abusador pela esquerda identitária era comum para a classe média, pois o socialista, no poder, se via como vítima. Esquizofrênico. O poder absoluto que se faz de vítima para poder massacrar seus súditos, sem sofrer represália. 
 
Sintoma: cansaço. O povo cansou. Cansou de quem o massacrava. Sintoma : Jair Messias Bolsonaro. O avesso. O anti politicamente correto, o anti identitário, o anti marxista... o sem complexidade. 
Qual o problema? A realidade é complexa. Mas e a sede de simplicidade? De perceber que quem rouba é ladrão?!
 
Sintoma. Efeito colateral. Mesmo a simplicidade tem seu gosto amargo. Destrói as nuanças da complexidade em nome da restauração da normalidade. Isso causa vítimas. A primeira delas talvez seja a liberdade de pensamento. De enxergar a realidade por um prisma maior. Hostes governistas reagem – reacionariamente – a outras formas de pensamento. Criam outro modo único de pensamento. Sintoma. 
 
Tese, antítese, síntese. Dialética simples. Um pensamento que encontra seu contrário. Dos contrastes, nasce uma teoria que alcança um sentido mais amplo. Este é um princípio de liberdade: o diálogo. Talvez o cansaço dos extremos nos leve ao esboço de um 2020 que comece a nos libertar de décadas de autoritarismo - no Estado e em nossa psique. Esta minha sintomática esperança.
 
Adrilles Jorge (@AdrillesRJorge)
Escritor, poeta e comentarista



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Colunista Emerson Celestino aborda os principais assunto da política regional e nacional.