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Empresários acusam iFood de não repassar cobranças e afirmam que dívida pode inviabilizar negócios

A Vida em Duas Rodas 07/02/2020 13h04Fonte: Banda B




Mais popular aplicativo de entregas de comida do Brasil, o iFood faz milhares de entregas todos os dias. O objetivo é justamente fazer com que moradores das grandes cidades possam encontrar na palma da mão o que quer comer, muitas vezes com preços promocionais bastante atrativos. Para empresários de Curitiba, porém, o serviço passou a trazer prejuízos de seis meses para cá, principalmente com o não pagamento dos valores subsidiados pelo aplicativo. Nesta quinta-feira (6), a Banda B ouviu empresários que afirmam que o aplicativo chega a inviabilizar a atividade econômica.

Bruna Agottani trabalha em um restaurante do Mercado Municipal de Curitiba e diz que usa o aplicativo há dois anos para fazer entregas. Segundo ela, porém, o estabelecimento começou a ter problemas de agosto para cá. “Eu comecei a fechar algumas parcerias com eles, como a compra de uma centena de estrogonofes, por exemplo. Com essa compra, eles me depositavam o dinheiro total para que pudessem fazer a venda mais barata para os clientes. Depois, porém, comecei a perceber o desconto de promoções que eu não estava participando”, explica.

Segundo Agottani, os prejuízos ao restaurante passaram de R$ 60 mil em apenas um mês e até o momento ela não sabe se o estabelecimento vai receber de volta os valores.

Dono de uma hamburgueria do bairro Portão, Diego Giacomiti conta que várias chamadas já foram feitas à empresa e nada é feito. “Eles prometeram pagar um valor x com esses lanches pré-selecionados, mas sem taxa nenhuma, nem mesmo os 27% do aplicativo. Apenas aqui, o prejuízo já está próximo dos R$ 10 mil. Eles já nos pagam semanalmente e passamos a descobrir que estávamos em débito por algo que não aderimos”, afirma.

Segundo a Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar), mais empresários já relataram problemas, o que pode levar a entidade a buscar uma ação coletiva.

Preocupação

O presidente da Abrabar, Fábio Aguayo, demonstrou preocupação com a retenção do dinheiro. “Estamos recebendo dezenas de reclamações e, como se já não bastasse as altas taxas, vem essa situação. São notificações judiciais e emails enviados, mas as respostas são muito desanimadoras. O empresário não pode ser explorado dessa forma”, lamenta.

Aguayo afirma ainda que Curitiba precisa de uma regulamentação para o serviço. “Nós sabemos que a tecnologia é um caminho sem volta, mas eles estão abusando da confiança. Temos empresários que estão se endividando porque não estão recebendo o que lhe é de direito”, conclui.

iFood

O iFood esclarece que as ações promocionais mencionadas foram previamente acordadas entre a empresa e restaurante. Por se tratar de um formato novo, é possível que surjam dúvidas e que sejam necessários ajustes ao longo de sua implantação.

A empresa reforça que zela pela sua relação com os parceiros e se compromete a analisar caso a caso para tomar as medidas cabíveis, dando as devolutivas por meio de seus canais oficiais.

 



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