EDUCAÇÃO

Enem: Após declaração de Bolsonaro, Câmara quer ouvir ministro da Educação por suspeita de interferência

A declaração feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), afirmando que o Exame Nacional do ensino Médio (Enem) teria “a cara do governo”, chamou atenção da comissão de Educação da Câmara dos Deputados. Agora, parlamentares querem convocar o ministro da Educação, Milton Ribeiro, para dar explicações.

Segundo informações do jornal O Globo, os deputados querem entender o motivo da debandada de servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão responsável pela elaboração do Enem. O programa Fantástico, da TV Globo, revelou depoimentos de servidores relatando pressões e tentativa de censura nas questões da prova.

A votação do pedido de convocação do ministro deve acontecer nesta terça-feira (16) na comissão de Educação. Presidente do comitê, a deputada professora Dorinha (DEM-TO) afirmou que Milton Ribeiro já se comprometeu a comparecer.

Ao jornal O Globo, o deputado Israel Batista (PV-DF), presidente da Frente Mista da Educação avaliou que a fala de Jair Bolsonaro foi uma confissão de culpa. Batista foi um dos três deputados que pediu a convocação de Milton Ribeiro.

“A frase do presidente é uma assinatura de culpa, a prova que eles não têm a menor noção. O presidente comprovou o que estamos denunciando há meses, que há interferência política na prova do Enem”, declarou. “Não é papel do Enem ter cara de governo A ou B. A prova é uma política de Estado.”

Líder da oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), avaliou que a qualidade do Enem está em risco. “Quando Bolsonaro interfere politicamente em uma prova como o Enem, coloca em risco a qualidade do exame e o futuro de nosso país. Nós, da oposição, vamos propor a convocação dele”, disse o deputado.

O presidente do Inep, Danilo Dupas, foi à Câmara na última quarta-feira, em um acordo costurado pela Câmara e pelo governo federal para poupar Milton Ribeiro. Dupas declarou que a saída dos funcionários era uma “questão interna” e deu poucas explicações, deixando deputados insatisfeitos.

O Enem acontece nos dois próximos domingos, 21 e 28 de novembro.




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