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Futuro da empregabilidade depende de qualificação técnica


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Muito se fala sobre a falta de vagas de emprego no Brasil. Mas será que temos mão de obra qualificada para preencher algumas dessas vagas? Em uma pesquisa divulgada na 1ª quinzena de maio, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego ficou estável em 26 das 27 unidades da federação no 1° trimestre, em comparação com os 3 últimos meses de 2021.

Entretanto, na média nacional, a taxa de desemprego ficou em 11,1% no 1º trimestre de 2022, estimando-se que a falta de trabalho formal alcance hoje quase 12 milhões de brasileiros, segundo o IBGE.

Porém, o recente estudo Mapa do Trabalho Industrial 2022-2025 - realizado pelo Observatório Nacional da Indústria para identificar gargalos futuros por causa de mão de obra e orientar a formação profissional da base industrial do país - apresentou um cenário preocupante.

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Segundo o levantamento, até 2025 o Brasil vai precisar qualificar, nada mais nada menos, que 9,6 milhões de pessoas, apenas em ocupações industriais. A pesquisa ainda detalha que 2 milhões estão em formação inicial, para repor inativos e preencher novas vagas, e 7,6 milhões em formação contínua, para trabalhadores que precisam se atualizar.

Em outras palavras, 79% dessas pessoas que vão necessitar de formação nos próximos 4 anos serão em aperfeiçoamento e atualização. O documento ainda revela que a demanda virá principalmente do uso de novas tecnologias e de mudanças na cadeia produtiva.

Por esse motivo, será preciso investir em aperfeiçoamento e requalificação para esses profissionais.

Mas como podemos reverter esse cenário? E como o setor da mobilidade elétrica está se preparando para o futuro? Algumas iniciativas estão em andamento, mas boa parte ainda é proveniente da iniciativa privada.

As empresas de eletromobilidade já perceberam que podem ter dificuldades em atender a suas demandas, que permanecem crescentes, caso não façam um trabalho proativo junto aos jovens e aos profissionais que desejam trabalhar no setor, mas que ainda necessitam de qualificação técnica para atuar na área. Algumas iniciativas nesse sentido, para democratização de conhecimento da tecnologia da mobilidade elétrica, merecem nosso respeito.

Em junho, uma das líderes no desenvolvimento de soluções tecnológicas do setor promoverá uma iniciativa que vai oferecer oportunidade de desenvolvimento técnico e integração das pessoas com a eletromobilidade, setor que cresce cada vez mais no mundo, inclusive no Brasil. O projeto visa preparar profissionais com interesse e potencial para fazer parte do futuro e atuar nesse mercado de trabalho tão promissor.

O que chama atenção é que esse projeto vai ocorrer em uma área carente: o Capão Redondo, localizado na Zona Sul da capital paulista. O objetivo é capacitar pessoas sem qualificação e com isso disseminar conhecimento sobre o setor, além de transformar alunos em profissionais prontos para atuar neste mercado, melhorando a vida de suas famílias, gerando desenvolvimento e renda.

Dessa forma, desde o início da pandemia, apesar da crise de fornecimento enfrentada pelo setor, a procura por esses veículos cresceu. Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), a venda de carros elétricos e híbridos (que combinam motores a combustão e eletricidade) cresceram 78% no 1° trimestre de 2022 em comparação ao mesmo período do ano passado.

Porém, até mesmo algumas montadoras enfrentam obstáculos para entregar os veículos elétricos na mesma proporção em que são demandadas. Alguns analistas do setor atribuem, em parte, que o problema pode estar relacionado com a crise dos semicondutores que se estendeu para o setor de tecnologia e afeta boa parte da indústria desde março de 2020, e até mesmo a escassez na mão de obra observada nos principais mercados globais.

A eletrificação é um caminho sem retorno. Mas tanto no Brasil como no mundo, a qualificação de mão de obra é essencial. Em algum momento, a crise dos semicondutores vai se equacionar, no entanto a preparação de um profissional demanda tempo, dedicação e investimentos. É necessário acelerar o processo para não ficarmos sem "energia" no meio do caminho.




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