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Chico Pinheiro diz temer pela vida de Lula e critica duramente Bolsonaro
Ex-âncora da Globo alerta sobre “malucos” que podem agir com violência sob a “complacência de setores da segurança pública”

Na Rede TVT, o jornalista Juca Kfouri recebeu no programa 'Entre Vistas' o colega Chico Pinheiro, ex-apresentador do 'Bom Dia Brasil'. A política foi um dos temas da conversa.

Estimulado a comentar os desafios da cobertura das eleições deste ano, Chico disse recear por atentados contra a imprensa e o presidenciável do PT.

"Eu temo pelos jornalistas que vão cobrir essa campanha e também temo pelos candidatos, principalmente por Luiz Inácio Lula da Silva."

O veterano se preocupa com os radicais incentivados pela polarização ideológica e que se sentem autorizados a agir fora da lei.

"São muitos os malucos, os tarados que podem atentar contra a vida, que podem provocar arruaça, com a complacência, muitas vezes, de setores da segurança pública", afirma.

Chico citou como mau exemplo a falta de punição imediata aos agentes da Polícia Federal Rodoviária envolvidos na morte de Genivaldo de Jesus, sufocado por gás no interior de uma viatura da corporação em Sergipe.

Ao mencionar outro caso, a demora do governo em intensificar as buscas ao indigenista Bruno Pereira e ao jornalista britânico Dom Phillips na Amazônia, ele aproveitou para criticar o presidente.

"Bolsonaro disse que eles se meteram numa aventura. Aventura se meteu o Brasil quando elegeu o sujeito presidente da República. Essa foi uma aventura trágica."

De pensamento progressista e simpático ao PT, Chico Pinheiro está pessimista em relação ao futuro do País. "Nós estamos num beco sem saída. Cada vez mais agredidos na democracia ou na possibilidade de construir a democracia", disse.

"Tudo isso está dentro de uma cultura nacional de desrespeito aos direitos humanos que emana de Brasília. Vivemos hoje sob o signo da morte. Parece que aquele cavaleiro do Apocalipse montou em seu cavalo, pegou sua foice e veio (para o Brasil)."

Após 26 anos, Chico deixou a Globo em abril. Sua militância antibolsonarista e pró-esquerda no Twitter incomodava a cúpula do jornalismo do canal, que exige imparcialidade de seus contratados.

Alguns comentários dele ao vivo na bancada também incomodaram. Fora da TV, continua sua cruzada pessoal com posts diários contra o governo. Aos 69 anos, não sinaliza a intenção de se aposentar e usa a internet para fazer jornalismo independente.





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