ECONOMIA

Produtos sustentáveis viram bons negócios em Curitiba



​A conscientização a respeito de produtos sustentáveis e a forma como eles são produzidos tem gerado uma procura maior por empresas e mercadorias que tenham responsabilidade com o meio ambiente. É o que aponta a pesquisa realizada pela Union + Webster e publicada pelo Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP) em 2019. De acordo com a sondagem, 87% da população brasileira prefere comprar produtos e serviços de empresas sustentáveis e 70% dos consumidores que foram entrevistados não se importam em pagar um pouco mais por esses produtos. Várias empresas de Curitiba, como a Onda Eco, que produz produtos de limpeza biodegradáveis, hipoalergênicos, veganos e com embalagens de plástico reciclado dos mares e oceanos, e a EcoFactory, que faz canudos de papel, já perceberam essa tendência e colhem os frutos.

Para as empresas, o conceito de economia circular que envolve a preocupação com a inovação e a otimização no processo de produção para que matérias-primas e outros recursos não sejam desperdiçados e os resíduos derivados tenham redução no risco ambiental, também promove a fidelização de clientes e reduz os custos . Segundo outra pesquisa publicada em abril 2020 e feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), 72,4% das empresas que participaram do questionário acreditam que práticas relacionadas a economia circular contribuem para a fidelização dos clientes, melhoram a imagem e aumento de receita da empresa. De acordo com a consulta, 75,9% das empresas consultadas concordam que a economia circular pode ajudar na redução de seus custos operacionais.

O professor e coordenador de sustentabilidade do ISAE/FGV Gustavo Loiola explica como a economia circular beneficia empresa e meio ambiente. “Hoje as empresas entendem que quando você junta inovação com sustentabilidade, dentro da organização, você consegue ser mais sustentável, inovando mais, tendo mais eficiência no seu processo produtivo e consequentemente tendo mais rentabilidade financeira. Então temos o conceito de economia circular, onde o lixo não existe. A empresa trabalha com ciclo fechado, tudo que seria descartado volta para a cadeia, entra de novo no processo produtivo ou em outra linha de produção. Você consegue trazer de volta o que seria descartado e reaproveitar”.

Para considerar uma empresa sustentável ou não, o Sistema FIEP criou a Bússola da Sustentabilidade e organizou seis indicadores principais na área de produção para fazer essa classificação. São eles: Gestão de matéria-prima; Gestão do uso da água; Gestão energética; Controle de emissões de gases poluentes; Gestão de resíduos; Processo de embalagem; Esses indicadores são eficientes para o aumento da capacidade produtiva da indústria e fundamentais para a sustentabilidade.

Preocupado com meio ambiente, empresário cria fábrica de canudos de papel em Curitiba

Em um estudo publicado em 2019 pela Organização não governamental (ONG) World Wide Fund for Nature (WWF, Fundo Mundial para a Natureza) o Brasil ocupa a 4ª posição no ranking de países que mais produzem plástico no mundo, com 11,3 milhões de toneladas, ficando atrás somente dos Estados Unidos, China e Índia. Do total, apenas 145 mil toneladas (1,28%) são recicladas. Nas praias, sacolas e canudos de plástico são as causas mais frequentes da morte de animais marinhos, além de serem prejudiciais para a flora e o habitat desses animais. A preocupação com o esse uso desenfreado de canudos de plástico e as consequências na nossa natureza foram a base para a criação da marca EcoFactory. O diretor industrial Luiz Gonçalves conta que a empresa foi criada em 2018 para ser uma alternativa sustentável. “Tudo o que nós fazemos é pensando na sustentabilidade, pensando na comunidade que está ao nosso redor, tanto das pessoas, buscando empregar vizinhos próximos à fábrica, instruindo com cursos preparatórios, quanto no processo de higienização. O cuidado ambiental e o cuidado sanitário andam juntos”.

A produção dos canudos de papel é feita utilizando somente recursos naturais, renováveis e sustentáveis com práticas ecologicamente corretas e com etapas de produção que não causam danos ao meio ambiente e não desperdiçam matérias primas. A empresa possui o selo Internacional Forest Stewardship Council (FSC), que reconhece a produção responsável de produtos florestais. “Todo o material que sobra, é comprado por outra empresa certificada, que coleta e recicla o papel para produzir papel novamente”, explica o Diretor. Na hora do descarte o canudo também pode ser reutilizado em composteiras caseiras, como adubo natural.

Produtos de limpeza biodegradáveis com embalagens de plástico reciclado dos mares

Buscando unir sustentabilidade e acessibilidade à produtos com baixo custo, as irmãs Stefania e Nicole Bonetti fundaram a marca Onda Eco. Uma linha de produtos de limpeza biodegradáveis, hipoalergênicos, veganos e com embalagens de plástico reciclado dos mares e oceanos, investindo em tecnologia para redução de custos. “Queremos dar opção aos consumidores que querem fazer a diferença, mas muitas vezes não possuem condições financeiras para investir mais de 30 reais em um lava-roupas, por exemplo”, reforça Stefania, fundadora da Onda Eco.

A elaboração biodegradável dos produtos, é feita de maneira vegana, ou seja, à base de plantas e sem testes em animais, é produzida somente com ingredientes naturais e sem substâncias tóxicas, fazendo com que a água utilizada na lavagem de roupas ou louças possa vir a ser reutilizada para a regarem de plantas, por exemplo, e a produção da embalagem é feita com plástico reciclado dos oceanos. “Quando utilizamos produtos de limpeza, raramente visualizamos o seu despejo nos oceanos e o quanto eles podem ser prejudiciais para o ecossistema. Elucidar isso ao consumidor e propor uma alternativa às opções já existentes, são alguns dos nossos objetivos com a criação da marca”, revela Stefania.




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