DIVERSÃO

Como se sentem os carnavalescos no carnaval da pandemia
Carnavalescos falam ao 'Estadão' sobre o sentimento de ficarem sem os desfiles nos sambódromos e sem os blocos



A pandemia da covid-19 pariu um fevereiro sem carnaval. Um mês de sambódromo vazio. Ruas sem bloquinhos e quadras de escola de samba em silêncio. A memória de outros fevereiros, a esperança pelo próximo ou a folia possível é o que tem alimentado figuras proeminentes da nossa folia.

Não bastasse o aviso de todos os cientistas e os números trágicos do coronavírus, o fato de um fevereiro chegar sem nenhuma foto de "Alessandra Negrini no Baixo Augusta" estampando as capas de jornais ou revistas é a prova que vivemos, definitivamente, tempos de exceção.

Mas a rainha do bloco, Alessandra Negrini, 50 anos, não chora o confete derramado. Ao invés de brigar com os fatos, prefere trazer seus arlequins, pierrots e colombinas à razão. "Eu não sou uma pessoa que se deprime e fica remoendo aquilo que não é possível mudar. É claro, é chato, é triste, mas a gente precisa ter prioridades. Vamos guardar energia para o próximo", falou Alessandra.

Mas a rainha do bloco, Alessandra Negrini, 50 anos, não chora o confete derramado. Ao invés de brigar com os fatos, prefere trazer seus arlequins, pierrots e colombinas à razão. "Eu não sou uma pessoa que se deprime e fica remoendo aquilo que não é possível mudar. É claro, é chato, é triste, mas a gente precisa ter prioridades. Vamos guardar energia para o próximo", falou Alessandra.

Mas se não tem bloco na rua, não tem escola na avenida. Por isso, o sentimento da presidente da Rosas de Ouro Angelina Basílio, 63 anos, ao entrar em um sambódromo vazio não cabe nessa página. "Tentei trabalhar a cabeça para ficar bem durante a pandemia. Mas ver a avenida vazia...Eu choro só de ver as fotos que as pessoas colocam nas redes sociais sobre outros carnavais", confessou.

Angelina conta que no início da pandemia achou, como muitos, que o pesadelo duraria apenas dois meses e que logo a agitação do barracão seria retomada. "Vivemos um filme de ficção científica. É surreal", afirmou.

Mas a carnavalesca segue firme no propósito de respeitar o distanciamento e não se arriscar na pandemia. "As escolas perderam muitos integrantes para esse vírus. A covid-19 tirou o que eu mais gostava na vida. Só não desfilei duas vezes na minha vida, quando o médico não deixou por causa da gravidez e quando minha mãe morreu. Mas, mesmo assim, estava assistindo os desfiles. Tem sido muito pesado, mas não podemos desanimar", completou.

A presidente da Rosas de Ouro acredita que o carnaval sem covid e com vacina vai ser o melhor da história. "Imagino as quadras reabrindo, o sambódromo cheio. Vai ser um momento de revalorização da nossa cultura e identidade", avisou.

O carnavalesco André Machado, 46 anos, está no time daqueles que não se conformam com um fevereiro assim tão sem cor. No meio do samba e do carnaval desde os 7 anos, e com passagem por algumas das principais escolas de São Paulo, essa vai ser a primeira vez que ele não está na quadra, na avenida ou nos barracões. "Está sendo estranho. Tenho assistido a desfiles antigos para matar a saudade. Já vi compacto dos desfiles dos anos 80, 81, 82, 83", diz.

Para não esmorecer, Machado inventou uma brincadeira com a família. Com mulher e filhos fantasiados, ele vai armar um baile de carnaval dentro de casa. "Vou colocar umas marchinhas no YouTube e brincar o carnaval no isolamento. Não quero que passe em branco. Vai ter confete, serpentina e tudo o que tem direito", disse. "Nessa época, eu estaria desfilando ou dando os últimos retoques nos carros. Fico acordado até às duas da manhã pensando nisso. Mas sei que, no ano que vem, teremos o melhor carnaval das nossas vidas", afirmou.

Eliana de Lima, 59 anos, consagrada cantora e intérprete de samba-enredo, responsável por momentos marcantes do carnaval de São Paulo, como a defesa do samba Filhos da Mãe Preta (Unidos do Peruche - 1988) ao lado de Jamelão, fala do buraco deixado por essas semanas sem carnaval. "Como brasileira, a gente sente um vazio, a falta de alguma coisa, mas hoje seria impossível. O mais importante é a vida e a saúde", disse.

"Lembro da torcida da escola gritando meu nome, a sirene que toca para dar início ao desfile. O coração chega a sair pela boca de tanta emoção", diz Eliana - que para não deixar a peteca carnavalesca cair já está programando lives durante o carnaval. "Vinte anos da minha vida foram dedicados ao carnaval. Ele me abriu muitas portas. Mas carnaval vai ter sempre. Não podemos lastimar, temos que seguir", completou.





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