REGIÃO

TCE acusa ex-prefeito de Paiçandu de furar a fila de imunização
Tarcísio Marques Reis já estava sob julgamento por discrepâncias nas contas públicas; outros municípios do Paraná também são investigados


Foto: Reprodução/Ângelo Rigon

Após ser acusado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE/PR) de cometer irregularidades na prestação de contas públicas durante o mandato, o ex-prefeito Paiçandu/PR, Tarcísio Marques dos Reis (PT), agora também é suspeito de violações adminsitrativas quanto a campanha de vacinação contra a Covid-19; entre as acusações, o ex-gestor também teria furado a fila de vacinação ao alegar estar trabalhando como psicólogo.

Tarcísio Reis, que administrou o município por oito anos (2013-2020), respondeu em entrevista que nega as acusações e que foi requisitado pela Secretaria de Saúde Municipal a tomar a 1ª dose do imunizante por atuar como psicólogo clínico. “Eu sou profissional da saúde privada, estou na ativa há mais de 30 anos [...] nunca deixei de atender em psicologia clínica, sou especialista inclusive. Então, não existe irregularidade porque chegou o momento, no cronograma da vacinação, que pessoas da saúde privada poderiam tomar [...] eu tomei a vacina, segundo a orientação da própria epidemiologia de Paiçandu”, declarou o ex-prefeito.

Dezoito prefeituras foram notificadas pelo TCE/PR a dar explicações sobre violações durante a aplicação de vacinas contra a Covid-19; um prefeito, três ex-prefeitos, e dezenas de vereadores do interior do Paraná teriam furado a fila de imunização. Os envolvidos citados não se enquadram em nenhum dos grupos prioritários para imunização, conforme os critérios definidos pelo Ministério da Saúde. Segundo os autos do tribunal, diversos vereadores foram indevidamente vacinados por supostamente trabalhar como “motorista de ambulância”, embora não haja quaisquer registro do exercício de tal atividade por parte dos parlamentares.

Também há acusações de agentes políticos vacinados sem a apresentação de uma justificativa fundamentada; entre os casos que foram expostos, destacam-se o de um vereador sem formação superior que foi vacinado como farmacêutico; um vereador imunizado como médico, apesar de trabalhar como motorista para outra autarquia do município; e de uma parlamentar que recebeu a vacina por ser ex-sócia de uma clínica médica pertencente ao marido. O TCE/PR ainda notificou quatro municípios sobre casos de multivacinados – quando o portador de um mesmo CPF recebe diversas doses do imunizante. Essa situação foi verificada a partir de informações fornecidas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Caso os prefeituras não deem as devidas explicações sobre as ocorrências, os gestores ficarão sujeitos à aplicação de multas e outras sanções. Os acusados também podem responder no âmbito administrativo-disciplinar, bem como judicialmente nas esferas cível e penal por atos de improbidade administrativa, e crimes como peculato, corrupção e abuso de poder. “Essa hipótese [falha técnica] pode ser descartada, já que tanto os casos de agentes políticos fura-filas quanto de multivacinados ocorreram somente em municípios de médio e pequeno porte. Nenhum caso foi registrado em Curitiba, Maringá e Ponta Grossa, por exemplo”, explicou coordenador-geral de Fiscalização do TCE-PR, Rafael Ayres.

O TCE/PR pede a colaboração dos cidadãos para que denunciem quaisquer suspeita de irregularidades na vacinação contra a Covid-19 no Paraná. Os contatos com a Ouvidoria podem ser feitos de três maneiras:
 
  • Pelo portal online do TCE/PR: www1.tce.pr.gov.br/ouvidoria
  • Por telefone através do número 0800-645-0645, das 12 às 18 horas de dias úteis;
  • Por carta endereçada a Praça Nossa Senhora de Salete, s/n, Centro Cívico, Curitiba-PR, CEP 80530-910.





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